Não tem jeito, remédio ou vacina anti-dor. Pessoa qualquer consegue escapar desse mal de amor. Se ainda não machucas-tes teu coração meu bem, não temas. Sente-se na varanda, acenda um cigarro de manso; sinta o vento embalando teu corpo dormente. A dor de amor irá chegar. Tu podes tentar se precaver, guardar-se para si, se proteger. Tudo em vão, meu bem, tudo em vão. É venéreo. Sempre dói. Cada um vai curando-se como pode, a seu modo. Às vezes gosto de ver os outros se curando, querendo escutar o Chico falar de amor, entende, aquele amor “Pra que os olhos do meu bem, não olhem mais ninguém”. Tentando fingir que bem-querem e por dentro terem tão amargos mal-me-queres. E por essa estrada viajar mais um pouquinho, que apesar de azeda faz parte do amor. E se vem do amor, a gente sempre quer um pedaço e às vezes sai errado, vem o pedaço amargo. Mas isso faz parte da cozinha… Pra ver as coxas nuas daquela branquinha na cozinha. E poder num dia desses falar de amor sentados no chão, coração mais ou menos aquecido, essa coisa toda, até deixando esquecido os Chicos-amargos. E vamos nos dando conta de que temos de voltar pra’quele cantinho, seja ele qual for. Se existir, amar, perdoar e crescer vier junto, a gente pode até acreditar que o silêncio da alma é leitura dos olhos.
E nada aconteceu. Eu meio que sabia onde as coisas iam dar – foi quase, mas não deram. Não deu. Não dei. Valeu a tentativa, o empenho, o interesse. Eu não estava prestando muita atenção, mas posso sentir em algum lugar aqui dentro de mim que foi bonito. A gente ainda vai se falar por aí, essa não é a conversa final, eu sei como você é.